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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Um Para Ti - V


Há dias em que a Humanidade me assusta. E desilude.
Não existe animal mais perverso que nós, certamente.
É tão fácil magoar os outros.


Falaram-me os Homens em Humanidade

Falaram-me os homens em humanidade,
Mas eu nunca vi homens nem vi humanidade.
Vi vários homens assombrosamente diferentes entre si.
Cada um separado do outro por um espaço sem homens.

Alberto Caeiro, in "Fragmentos"

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Um Para Ti - II


Hoje brindo-vos com Alberto Caeiro. Ando, assim, a querer ensinar-me a ser mais simples, ainda que goste de ser minimanente complicada. Um bocadinho precisa-se. São perfis.

Por agora, vai-me apetecendo estar simples na vida.


Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

Alberto Caeiro